terça-feira, 2 de outubro de 2007

Brasil ajuda a criar 1ª biblioteca digital mundial


Unesco lança neste mês protótipo do portal na internet; Biblioteca Nacional, do governo, faz parte do projeto

Roberta Pennafort

Na Antiguidade, a Biblioteca de Alexandria, no Egito, com suas centenas de milhares de papiros, era a guardiã do maior acervo cultural e científico do mundo. Inaugurada em 295 a.C., foi destruída pelo fogo em 272 d.C. por ordem do imperador romano Aureliano.

Na era digital, um projeto da Unesco, a World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), cujo protótipo entra no ar neste mês, tornará tesouros de vários países disponíveis gratuitamente na internet. O portal da WDL terá, na primeira fase, mapas, fotografias e manuscritos digitalizados, tudo com textos explicativos em árabe, chinês, espanhol, inglês, francês, português e russo. Numa segunda fase, será possível consultar livros. Os usuários poderão pesquisar temas como filosofia, história, religião e ciência.

Grandes bibliotecas estão sendo convocadas a colaborar - e a Biblioteca Nacional foi uma das primeiras a aceitar. Já enviou reproduções de mapas e registros fotográficos raros do País no século 19. Oitava maior do planeta e a número um da América Latina, a instituição é parceira-fundadora ao lado das Bibliotecas do Congresso dos EUA, da Rússia, da Coréia do Sul e da Bibliotheca Alexandrina, inaugurada em 2002.

Além de dar acesso a imagens, espera-se do Brasil o cumprimento de uma missão importante: atrair países de língua portuguesa e também de língua espanhola para a empreitada.

PRIMEIRO TESTE

Um protótipo da WDL vai funcionar a partir do dia 17, na 37ª Conferência-Geral da Unesco, em Paris. Será uma oportunidade para mais países aderirem - e para o Brasil fazer sua campanha com os vizinhos latinos e com as nações de língua portuguesa. “A Biblioteca Nacional é a única da América Latina que está participando. Vamos entrar em contato com os países da região, começando por Argentina, Venezuela e Colômbia”, afirma o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré.

A Biblioteca Nacional é considerada um modelo para países emergentes por seu bom padrão de digitalização - o processo de transferir obras para o computador foi iniciado em 2003 e intensificado em 2006. “O nível brasileiro é muito bom”, elogia John Van Oudenaren, coordenador do projeto da Unesco. “Se a Biblioteca Nacional compartilhar o que tem aprendido com bibliotecas de outros países, será um grande passo para aumentar a participação. Não faz sentido fazermos acordos com instituições que não têm capacidade de digitalização.”

Os mais de mil itens que a Biblioteca Nacional vai compartilhar na WDL compõem conjuntos dos mais representativos das Américas. São fotografias do século 19 que fazem parte da coleção Teresa Cristina Maria - doada por d. Pedro II em 1891 e considerada pela Unesco patrimônio da humanidade -, em que se vêem paisagens do Rio, Paraná e Minas. Há também mapas e cartas náuticas dos séculos 16, 17 e 18.

“A idéia é fazer um grande portal da cultura no mundo. Cada país está mandando o que tem de mais precioso”, explica Liana Gomes Amadeo, diretora do Centro de Processos Técnicos da Biblioteca Nacional. Mais detalhes sobre o projeto, cujo investimento não foi divulgado, estão no site www.worlddigitallibrary.org.

O maior acervo digital do mundo, hoje, é o da Biblioteca do Congresso Americano (www.loc.gov), iniciado em 1995, com mais de 7,5 milhões de documentos.

Fonte: O Estado de São Paulo

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Profissional Bibliotecário é tema de documentário Americano


The Hollywood Librarian: A Look at Librarians through Film será o primeiro
longa-metragem a focar o trabalho e a vida dos bibliotecários. Em um contexto divertido e descontraído, o filme trará muitas surpresas para as pessoas que pensam que sabem o que um bibliotecário faz, além de revelar a
diversidade de profissionais existentes nos Estados Unidos e a importância
da profissão para a sociedade.

Acesse o trailer do filme,
www.hollywoo dlibrarian.com

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

É inaugurada a primeira biblioteca gay do Chile


Acabou de ser inaugurada a primeira biblioteca gay do Chile. O local, onde funcionava o antigo Centro de Documentação de Prevenção de Aids, há 7 anos, foi aberto pelos ativistas Juan Pablo Sutherland, Víctor Hugo Robles, conhecido como o Che dos Gays, (foto) e Ricardo López. A "Biblio Gay", teve um aporte do grupo Acciongay e funciona no "Barrio Universitario" em Santiago, de segunda a sexta das 10 às 18:00hs.

http://www.gay1.com.br

6º Concurso de Contos- Biblioteca Leverdógil de Freitas/ IPDAE

A Biblioteca Leverdógil de Freitas está promovendo o 6º Concurso de
Contos.
Segue abaixo o regulamento.

Comissão de Organização- IPDAE
Telefone: (51) 30282049

Regulamento

I- Da inscrição:
1- As inscrições serão realizadas no período de 1º de setembro a 23 de
novembro de 2007.
2- O participante deverá ser maior de 18 anos de idade.
3- Cada participante poderá inscrever no máximo 3 (três) contos
inéditos.
4- Os contos deverão ser entregues em 4 (Quatro) vias, digitados ou
datilografados, não serão aceitas cópias manuscritas.
5- Em cada cópia dos contos deverá constar apenas o título do trabalho
e o pseudônimo.
6- O participante deverá enviar, em separado, uma folha contendo os
seguintes dados:
a) Nome Completo;
b) Endereço completo, incluindo CEP;
c) Telefone para contato e e-mail, se houver;
d) Profissão;
e) Data de nascimento e idade;
f) Título(s) do(s) conto(s);
g) Pseudônimo do participante.
7- Cada conto deverá ter no máximo 3 (três) páginas.
8- Os contos inscritos não serão devolvidos.
9- Os contos deverão ser entregues na sede na sede da Biblioteca
Leverdógil de Freitas, Av. João de Oliveira Remião, 7.193, Parada 18,
Lomba do Pinheiro, Porto Alegre- RS, CEP 91560-000, ou remetidos via
correio, postados até o último dia do período de inscrições.
10- Os contos que não seguirem o regulamento acima estabelecido serão
automaticamente desclassificados.

II- Da seleção:
1- Os contos serão selecionados por uma comissão formada pelos
seguintes profissionais:
- Renée Maciel Nassif
- Juçara Benvenuti
- Tatiane Bandeira
- Vera Medeiros
2- A seleção dos contos será feita no período de 26 de novembro a 07 de
dezembro de 2007.
3- Serão selecionados 10 (dez) contos.
4- Os contos selecionados serão publicados em uma coletânea.
5- Uma vez selecionados, os participantes estarão fazendo a cessão de
diretos de publicação.

III- Da divulgação:
1- O resultado do 6º Concurso de Contos estará disponível a partir do dia
08 de dezembro de 2007, na Biblioteca Leverdógil de Freitas e no site
www.ipdae.org.

IV- Da premiação:
1- A premiação consistirá na entrega de certificados a ser realizado no
dia 14 de dezembro, às 18h, sexta-feira, na sede na Biblioteca Leverdógil
de Freitas.

Fonte CRB10

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

SMC tem oficina de criação textual para cinema e teatro

A Secretaria da Cultura de Porto Alegre promove uma oficina para
quem quer iniciar-se na produção de roteiros A oficina Transcriação das
Idéias: escrita para teatro e cinema será ministrada pelo escritor e diretor
de teatro Hermes Bernardi Junior e pelo poeta, roteirista e diretor de
cinema Muriel Paraboni.

A atividade será realizada na Biblioteca Municipal Josué Guimarães
nos meses de setembro e outubro, às segundas-feiras, das 19h às 21 horas, a
partir de 10 de setembro. A oficina oferece 15 vagas e tem seu último
encontro no dia 29 de outubro.

Durante as oito aulas previstas serão abordadas as particularidades
da escrita para as linguagens do cinema e do teatro através de exercícios
propostos, a fim de desenvolver com os participantes o uso de ferramentas
para viabilizar suas próprias idéias ou adaptar textos escritos em outros
suportes.
As inscrições estarão abertas a partir do dia 27 de agosto na Ilhota
Livros do Centro Municipal de Cultura (Av. Érico Veríssimo, 307), de segunda
à sexta-feira, das 9h às 12h e das 14 às 18 horas, ao valor de R$ 60,00 para
o público em geral e R$ 30,00 para estudantes, professores e maiores de 60
anos, mediante comprovação. Outras informações podem ser obtidas através do
telefone 3289.8072 ou 3289.8073.

Sobre os oficineiros

Além de atuar na área do cinema, Muriel Paraboni estreou na poesia
em 2004 com Ambivalência, escrito em co-autoria com Douglas Dickel. O livro
recebeu o Prêmio Nacional e os Livros de revelação da 50a Feira do Livro de
Porto Alegre. É especialista em produção cinematográfica e em teoria do
teatro contemporâneo, com curso realizado em Cuba.

Hermes Bernardi Junior recebeu o Prêmio Tibicuera de
Teatro 2005, pela dramaturgia original do espetáculo infantil Pé de Sapato
-uma história de muitas histórias, além de ter adaptado a obra de William
Shakespeare, A
Tempestade, que resultou no espetáculo infanto-juvenil Tempestade e
os
mistérios da ilha. É autor, entre outros, do livro Planeta
Caiqueria e Lilliput de sorvete e chocolate. Realiza o projeto de contação
de histórias Terça eu conto pra você! que
tem apresentações marcadas em várias partes do país.

Fonte: CRB10

III Encontro de Arquivos Científicos

Promoção: Fundação Casa de Rui Barbosa/ MINC e
Museu de Astronomia e Ciências Afins/MCT

Coordenação e organização: Arquivo Histórico e
Institucional da Fundação Casa de Rui Barbosa e
Arquivo de História da Ciência do Museu de
Astronomia e Ciências Afins.

Apoio: Associação dos Amigos da Fundação
Casa de Rui Barbosa. Associação Cultural de Amigos do MAST - SAMAST

Local: Auditório da Fundação Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente , 134. Botafogo. Rio de Janeiro

Período: 26 e 27 de setembro de 2007

Investimento: R$ 70,00 (setenta reais) para não sócios da AAB, R$ 50,00 (cinqüenta reais) para sócios da AAB

Inscrições: AAB – Associação dos Arquivistas
Brasileiros. Av. Presidente Vargas, 1733 - sala 903 • CEP: 20.210-030 Centro - Rio de Janeiro

Maiores informações no site da AAB: http://www.aab.org.br/

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Mulas viram bibliotecas itinerantes na Venezuela


Uma universidade no interior da Venezuela implementou um projeto inusitado para levar livros e incentivar a leitura em vilarejos remotos do interior: criou bibliotecas itinerantes em mulas, ou “bibliomulas”.

A iniciativa atende comunidades remotas na região do Vale do Momboy, no leste da Venezuela, onde fica a região andina do país.
Pelo menos duas mulas são usadas atualmente no projeto. Elas levam, amarradas ao corpo, porta-livros com títulos diversos, que agradam em cheio principalmente às crianças das cidades nas montanhas.
O projeto tem feito tanto sucesso que a instituição responsável pelo projeto, a Universidade do Vale do Momboy, já está transformando as mulas em “cybermulas”, incorporando elementos eletrônicos como laptops e projetores.

“Espalhando alegria”

O repórter da BBC James Ingham acompanhou uma das viagens das bibliomulas, visitando o vilarejo de Calembe.
A mula partiu de Trujillo, uma das cidades do Vale do Momboy, acompanhada de um guia local e de duas líderes do projeto.
Uma jornada de duas horas por meio de uma trilha seca e empoeirada levou até a vila, onde 23 crianças, alunas de uma escola local, rapidamente se aproximaram da biblioteca de quatro patas.
Em questão de minutos, as líderes do projeto estavam lendo para as crianças alguns dos títulos disponíveis.
“Espalhar a alegria de ler é nosso principal objetivo”, disse Christina Vieras, uma delas. “Mas é mais que isso. Nós estamos ajudando a educar as pessoas sobre coisas importantes, como o meio ambiente. Todas as crianças estão plantando árvores. Qualquer coisa que melhore a qualidade de vida e conecte essas comunidades.”
“É ótimo”, disse empolgado José Castillo, de 12 anos. “Eu adoro ler livros e nós ouvimos umas histórias realmente boas.”

Internet

A equipe do projeto brincou com as crianças, as ouviu ler e lanchou com os adultos de Calembe, discutindo com eles como o projeto pode ser ampliado.
Uma idéia é usar as mulas para transportar remédios, que podem ser tão difíceis de conseguir na região.
“Nós queremos instalar modems sem fio embaixo das bananeiras, para que os moradores dos vilarejos possam usar a internet”, disse Robert Ramirez, coordenador da Rede de Escolas Rurais Empreendedoras da universidade.
“Imagine se as pessoas nas cidadezinhas pobres do vale pudessem mandar e-mails dizendo quantos tomates eles vão precisar na semana que vem, ou quanto salsão.”
“Os fazendeiros poderiam responder, dizendo quanto eles poderiam produzir. Seria misturar ‘localização’ com globalização”, completou.

Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070804_biblioteca_mularg.shtml

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Surge a primeira Biblioteca Digital Aberta da Internet


Espaço democrático e gratuito para a publicação de arquivos digitais, o Cipedya - Biblioteca Digital Aberta - está no ar. A proposta, inédita na internet mundial, foi desenvolvida por um grupo de quatro brasileiros de Brasília e é uma forma independente e organizada de apresentar conteúdo. Quem procura ou pretende disponibilizar dados a uma determinada comunidade ou aos internautas em geral tem nas mãos uma poderosa ferrameta.
Com uma interface simples, qualquer usuário pode inserir documentos no Cipedya. Os arquivos ficam imediatamente disponíveis para buscas e download. Com o portal, professores, estudantes, pesquisadores, palestrantes e curiosos em geral podem publicar textos de todo tipo, apresentações, vídeos e músicas independente do tamanho.
A troca de arquivos e o acesso ao conhecimento postado nessa plataforma acaba com a necessidade do uso de pen drives ou o envio de documentos para listas de e-mails, grupos de discussão e outras formas de interação criadas para associar usuários que tenham interesse comum por determinado assunto ou tema.

O que é

No Cipedya, os documentos são classificados em até 5.126 áreas de especialização, que estão agrupadas em 697 sub-áreas e 97 campos do conhecimento. A Classificação Cipedya foi desenvolvida a partir da tabela de áreas do conhecimento utilizada pelas principais universidades e institutos de pesquisa do Brasil, desenvolvida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.
O acervo inicial inclui toda a coleção de Textos para Discussão publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -IPEA -, um dos principais centros de estudos e pesquisas na área econômica e de políticas públicas do Brasil. A coleção compreende todos os TDs publicados pelo instituto desde 1976.
A diferença do Cipedya para o outro site colaborativo que já esta na rede, o Wikipédia, é que neste segundo a comunidade colabora incluindo e editando verbetes. Assim, foi construída uma enciclopédia impressionante. Segundo Anderson Araújo, um dos desenvolvedores, no Cipedya a comunidade colabora incluindo documentos digitais de qualquer formato. “No nosso caso, queremos construir uma biblioteca também importante", completa.

Como funciona

Anderson Araújo afirma que "o Cipedya pode ser visto como um YouTube de documentos ou como um Google onde o usuário posta diretamente o conteúdo que deseja ver nos resultados da busca". Assim, se no Youtube os usuários postam e acessam vídeos, no Cipedya os usuários postam e acessam documentos digitais de todos os tipos, que ficam dispostos numa organização semelhante a uma biblioteca, mas com interface semelhante aos buscadores.
O Cipedya se alinha a iniciativas como Movimento Acesso Aberto (Open Acces Iniciative) e Creative Commons , entre outros grupos que defendem uma mudança nos paradigmas tradicionais de difusão do conhecimento nas artes e nas ciências na era digital. O portal também compartilha dos princípios e práticas do que convencionou-se chamar Web 2.0, especialmente no que se refere ao aproveitamento da inteligência coletiva e a vizualização da web como plataforma.

Bibliotecas particulares

Os usuários podem criar ainda uma biblioteca particular e nela incluir documentos de seu interesse. Com isso, por exemplo, professores disponibilizam aos estudantes documentos de um curso, incluindo resumos, apostilas, apresentações ou qualquer outro documento em formato digital.
Acadêmicos e pesquisadores podem ainda publicar seus trabalhos ou resumos mais recentes também fazendo uso de uma biblioteca particular, do departamento, do grupo de pesquisa ou da própria instituição.
A Biblioteca William Shakespeare http://www.cipedya.com/web/Lib/103 e a Biblioteca Paulo Freire http://www.cipedya.com/web/Lib/98 são exemplos de bibliotecas que já existem no Cipedya.
O portal, que está disponível em fase beta desde junho, já inclui em seu acervo as principais obras de domínio público da literatura brasileira (Machado de Assis, Lima Barreto e outros) e raridades como as obras completas de Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

Conceito

A Cipedya Tecnologia da Informação pretende aliar o que há de melhor em tecnologia de busca e ferramentas colaborativas para auxiliar as pessoas a trocarem informações de maneira simples e organizada. A iniciativa é genuinamente brasileira e seus realizadores são jovens profissionais que atuam em desenvolvimento de software, comunicação e gestão. Saiba mais: http://www.cipedya.com

*Fonte: Assessoria de Imprensa da Cipedya
Disponível em: http://www.convergenciadigital.com.br

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Alemanha: 60 milhões de livros podem desaparecer


Corrida contra o tempo para recuperar herança cultural germânica


Cerca de 60 milhões de livros das bibliotecas alemãs, mais de 70 por cento do total dos volumes, correm o risco de ser destruídos pelo ácido utilizado no fabrico de papel, alertaram esta terça-feira alguns peritos, noticia a agência Lusa.

Já existem dois processos para retirar o ácido dos livros, mas são ambos caros e têm de ser aplicados a todos os livros editados entre 1840 e 1980, «e por isso o tempo começa a faltar», explicou a directora da Biblioteca Universitária de Hamburgo, Gabriele Beger.

«Estamos sob a ameaça de perder a nossa herança cultural e o conhecimento acumulado ao longo de quase 150 anos», sublinhou também o director do Centro de Conservação de Livros de Leipzig, Manfred Anders, cuja firma inventou um processo de conservação intitulado PaperSave, para retirar o ácido dos preciosos volumes.

O processo consiste em colocar os livros alinhados numa máquina que lhes retira a humidade e depois os impregna com uma solução anti-ácido.

A referida máquina, de grandes dimensões, já está a funcionar há algum tempo, com excelentes resultados, na cave da Livraria Alemã, em Leizpig.

No entanto, a máquina não está em plena laboração porque os custos a suportar pelas bibliotecas para salvar os livros são elevados: conservar cerca de um milhão de livros pelo método PaperSave, por exemplo, custa perto de 15 milhões de Euros.

Obras que marcaram a história

Entre os volumes a precisar de conservação urgente estão originais dos músicos Johannes Brahms e Georg Friedrich Haendel, ou de escritores como Gotthold Ephraim Lessing e Heinrich Heine.

O ácido no papel também não poupa outras existências dos arquivos, como importantes dossiers ou exemplares quase únicos de jornais.

Só um aumento substancial dos subsídios às bibliotecas públicas ou a descoberta de uma nova tecnologia de conservação de livros e jornais mais barata, do que as actualmente existentes, poderia salvar a situação, referiu ainda Zeller.

Só na Biblioteca Nacional da capital alemã há 40 mil jornais antigos a precisar de restauro urgente, que ameaçam desintegrar-se se forem manuseados e deixarem de poder ser utilizados para fins científicos.

Perante este cenário, vários especialistas já fizeram um apelo para uma acção concertada a nível nacional que permita, pelo menos, salvar um exemplar de cada uma das obras em risco de desaparecimento.
Disponível em: (http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=838323&div_id=291)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Open Library - Site quer criar catálogo com todos os livros já escritos


Giles Turnbull

Das prateleiras para o computador?

Um projeto ambicioso para criar um catálogo na internet com todos os livros publicados em todas as línguas - Open Library (Biblioteca Aberta, em tradução livre) - está em andamento nos Estados Unidos.


Os livros a serem incluídos vão desde o Alcorão e clássicos da língua inglesa como As Aventuras de Huckleberry Finn, à moderna série de obras sobre Harry Potter.

Para o chefe da equipe técnica por trás da Open Library, Aaron Swartz, todos os livros já publicados perecisam de uma página na internet, um pouco como uma homepage pessoal.

"Neste momento, se você quiser acessar um livro na rede de computadores, o principal lugar onde as pessoas vão é a Amazon (livraria online). É ruim que um site comercial seja a fonte definitiva para informações sobre livros na internet, então nós queremos ter um site que junte informações de editoras comerciais, críticos, leitores, bibliotecas, de toda a parte", disse ele.

"O site vai se tornar o lugar onde se pode encontrar livros interessantes e informações sobre eles, quer estejam sendo reeditados, fora de catálogo, ou o que seja."

Uma biblioteca assim tem que ser virtual. Nenhum prédio seria grande o suficiente para abrigar todos os livros, nenhum grupo ou governo teria recursos suficientes para construí-lo, ou empregar o número necessário de funcionários. Se a Open Library der certo, tem que ser um espaço virtual, e acessível para todos, como a Wikipédia.

Há alguns anos, a idéia de que pessoas em todo o mundo escrevessem sua própria enciclopédia seria loucura - mas isto não impediu que os fundadores da Wikipédia tocassem o projeto, que acabou sendo um dos mais bem sucedidos na rede de computadores nos últimos anos.

Doações

Para dar a partida no projeto, a Open Library está pedindo a outras bibliotecas que doem seus catálogos. Só isto já apresenta grandes desafios técnicos, pois as informações são armazenadas em formatos e línguas diferentes, e podem vir com suas próprias especificidades, repetições e erros.

O que é importante é manter as informações de uma forma estruturada, para que o banco de dados nos bastidores saiba a diferença entre um autor, um título e uma editora.

"Nós tínhamos que criar este novo tipo de programa de wiki, o que era um desafio empolgante, porque é preciso implantá-lo para que ao invés de só ter um tipo de página que as pessoas possam editar, possamos ter tipos diferentes."

"As pessoas podem editar autores, livros, páginas de texto, e assim por diante. Então há muita coisa nova que precisamos criar. E esta é só a infraestrutura - há ainda muitas coisas para agregar, e dados sobre livros para reunir e organizar para pesquisa."

Se as especificações sobre direitos autorais permitirem, haverá uma cópia do livro para download, ou links para cópias do livro em outros locais (tais como o Projeto Gutenberg para digitalizar trabalhos culturais).

Por enquanto os recursos para ele vem do Arquivo de Internet, um outro projeto sem fins lucrativos que têm o simples objetivo de manter cópias na rede de computadores para as futuras gerações.

Mas a Open Library vai depender de doações em algum momento, e de uma porcentagem na venda de livros de grandes livrarias online.

A obtenção de recursos será mais importante diante da competição comercial. O Projeto de Biblioteca do Google, parte do serviço de busca de livros Google Book Search, tem objetivos semelhantes.

Naturalmente, o Google tem seus próprios interesses comerciais para proteger e investir neles. A abordagem da Open Library é oposta, com seu compromisso de máxima liberdade de informações, permitindo não apenas que qualquer pessoa navegue pelo site, faça busca e leia livros em seu catálogo, mas que também possam reescrever o próprio catálogo no caminho.

Ceticismo

Mas a famosa Biblioteca Britânica em Londres está cética. Stephen Bury, diretor de Coleções Européias e Americanas da instituição, disse: "No curto prazo, eu não acho que vamos mandar a eles uma cópia do nosso catálogo. Nossos recursos são limitados e nós precisamos concentrar nossos esforços em nossos próprios projetos de digitalização."

"Nós sempre apoiamos a digitalização, e quanto mais, melhor. Mas há algum ceticismo sobre se um dia a Open Library pode se tornar um site comercial com anúncios e coisa assim."

Bury não gosta da idéia de permitir que qualquer pessoa possa editar catálogos de bibliotecas.

"Eu acho que é preciso um equilíbrio e algum nível de controle. Pode-se ter gente maliciosamente mudando coisas."

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070801_livrosonline.shtml