Donizeti Costa - Diário de S. Paulo
SÃO PAULO - De 14 a 24 de agosto ocorrerá, no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, a 20ª edição da Bienal do Livro.
Uma das novidades deste ano - quando se celebram 200 anos da indústria gráfica no Brasil e da fundação da Biblioteca Nacional - é a Bienal Criança, para a qual foi reservada uma área de 11 mil metros quadrados dos 80 mil metros que terá a feira.
Participarão cerca de 900 selos editoriais do mundo nesta Bienal do Livro, a segunda no gênero no mercado livreiro internacional e que teve 80% de seus estandes vendidos com um ano de antecedência. A previsão é de que 800 mil pessoas visitem o espaço.
Fonte: O Globo On-line
Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2008/01/07/sao_paulo_recebe_20_bienal_do_livro_em_agosto-327912853.asp
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Internet estimula jovens a irem a bibliotecas nos EUA, diz estudo

Folha Online
Ao contrário do que se costuma pensar, a internet pode estar despertando o interesse das pessoas por livros, pelo menos nos Estados Unidos. Uma pesquisa mostra que mais da metade dos norte-americanos foi a uma biblioteca no país --muitos deles atraídos pelas informações a que tiveram acesso nos EUA.
Dos 53% dos norte-americanos que disseram ter visitado uma biblioteca em 2007, os usuários mais "intensos" tinham de 18 a 30 anos, segundo pesquisa da Pew Internet & American Life Project.
E, de acordo com o estudo, os internautas são duas vezes mais propensos a freqüentar bibliotecas do que aquelas que não usam a rede.
"Essa descoberta vira de cabeça para baixo a nossa opinião sobre bibliotecas", afirma Leigh Estabrook, professora emérita da Universidade de Illinois, co-autora do estudo.
"O uso da internet parece criar uma fome por informação e são as pessoas que usam muito a rede que parecem estar mais dispostos a visitar bibliotecas", afirma a professora.
Surpresa
Conforme a pesquisa, os resultados foram surpreendentes, principalmente em relação a essa faixa-etária. Isso porque em 1996 um estudo da Benton Foundation apontou que as pessoas com essa idade consideravam que as bibliotecas se tornariam menos relevantes no futuro.
"10 anos depois, os irmãos e irmãs mais novos dessas pessoas são os mais ávidos usuários de bibliotecas", afirma a pesquisadora.
Com informações da Associated Press
Fonte: Folha Online
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u359298.shtml
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A elite do ensino público
Ao comparar o desempenho dos melhores alunos dos colégios particulares e dos melhores alunos da rede pública no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação (MEC) fez uma descoberta surpreendente. Ao contrário do que se imaginava, os estudantes mais aplicados dos colégios municipais, estaduais e federais obtiveram uma nota média de 68,77, numa escala de zero a 100, contra 68,72 dos estudantes mais aplicados da rede privada. Na prova de redação, a diferença foi superior a 9 pontos em favor da elite da rede pública.
A comparação foi feita entre 149.430 alunos da rede pública que concluíram o ensino médio em 2006 e 149.430 escolhidos entre os melhores formandos da rede privada. Divulgado com exclusividade pelo Estado, o estudo do MEC mostra que 91% dos melhores alunos da rede pública estão matriculados em escolas estaduais, 6,2% em escolas federais e 2,5% em escolas municipais.
A maioria dos melhores alunos da rede pública de ensino médio se concentra nas Regiões Sul e Sudeste, as mais desenvolvidas do País, onde há Estados, como o Rio Grande do Sul, com um longo histórico de investimento em educação básica e em qualificação dos professores das redes públicas. Foi por isso que os alunos gaúchos obtiveram uma média superior à brasileira no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cujos resultados foram divulgados há três semanas.
No total, o ensino médio tem 9 milhões de alunos matriculados. A grande maioria dos estudantes da rede pública saiu-se mal nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), no Pisa e no Enem, que é uma prova optativa. Se forem consideradas as notas médias dos 602.232 concluintes do ensino médio que participaram do teste este ano, o desempenho foi 20 pontos abaixo do registrado entre alunos da rede particular. Mas o brilhante desempenho da minoria, que constitui a elite das escolas públicas, sinaliza o caminho que deve ser seguido pelas autoridades educacionais.
"O resultado (do estudo do MEC) mostra o esforço pessoal do bom aluno da rede pública", diz a pedagoga Márcia Sigrist, da Unicamp. Ou seja, quando o estudante é estimulado por professores capacitados, ele tende a se superar, buscando novas fontes de informação, além daquelas que são dadas em sala de aula. Um dos alunos da rede pública que se destacou por seu desempenho no último Enem, acertando 93,65% das questões da prova, é filho de um metalúrgico, estudou a vida inteira em escola pública e faz o ensino médio num colégio estadual na capital, onde foi estimulado a ler o noticiário da internet.
Outro fator que vem estimulando os alunos da rede pública de ensino médio a estudar é a possibilidade de usar as notas do Enem para entrar numa instituição de ensino superior. Atualmente, mais de 400 faculdades em vários Estados utilizam essas notas em substituição do vestibular ou como complemento de seu processo seletivo. E universidades de ponta, como a USP e a Unicamp, adotaram um bem-sucedido programa de inclusão social, premiando com até 30 pontos, em seus vestibulares, os candidatos egressos de escola pública.
São medidas simples, mas eficientes. Esta a lição que se pode extrair do estudo do MEC. A revolução educacional não se faz com sistemas de cotas raciais ou outras demagógicas iniciativas de "ações políticas afirmativas", mas com ensino de qualidade e acesso à informação. A escolaridade básica é o principal alicerce para uma boa formação escolar e profissional. É, também, um fator decisivo para a redução das desigualdades sociais, já que a mobilidade de jovens e adultos no mercado de trabalho depende da educação básica. Depois que uma boa escola do ensino fundamental ensina o aluno a ler, escrever, calcular, pensar e refletir, tudo o mais pode ser aprendido com rapidez e facilidade. E, quanto maior é o estímulo ao estudante do ensino médio para que amplie seus horizontes cognitivos, maiores são suas oportunidades de ingressar no ensino superior ou de sucesso na economia formal.
Quando todos os estudantes do ensino médio do País tiverem o mesmo ensino de qualidade que foi dado àqueles que se saíram bem no último Enem, o Brasil terá dado um passo decisivo para a redução das desigualdades sociais.
Fonte: Estadão.com.br, Caderno Opinião
Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080101/not_imp103023,0.php
A comparação foi feita entre 149.430 alunos da rede pública que concluíram o ensino médio em 2006 e 149.430 escolhidos entre os melhores formandos da rede privada. Divulgado com exclusividade pelo Estado, o estudo do MEC mostra que 91% dos melhores alunos da rede pública estão matriculados em escolas estaduais, 6,2% em escolas federais e 2,5% em escolas municipais.
A maioria dos melhores alunos da rede pública de ensino médio se concentra nas Regiões Sul e Sudeste, as mais desenvolvidas do País, onde há Estados, como o Rio Grande do Sul, com um longo histórico de investimento em educação básica e em qualificação dos professores das redes públicas. Foi por isso que os alunos gaúchos obtiveram uma média superior à brasileira no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cujos resultados foram divulgados há três semanas.
No total, o ensino médio tem 9 milhões de alunos matriculados. A grande maioria dos estudantes da rede pública saiu-se mal nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), no Pisa e no Enem, que é uma prova optativa. Se forem consideradas as notas médias dos 602.232 concluintes do ensino médio que participaram do teste este ano, o desempenho foi 20 pontos abaixo do registrado entre alunos da rede particular. Mas o brilhante desempenho da minoria, que constitui a elite das escolas públicas, sinaliza o caminho que deve ser seguido pelas autoridades educacionais.
"O resultado (do estudo do MEC) mostra o esforço pessoal do bom aluno da rede pública", diz a pedagoga Márcia Sigrist, da Unicamp. Ou seja, quando o estudante é estimulado por professores capacitados, ele tende a se superar, buscando novas fontes de informação, além daquelas que são dadas em sala de aula. Um dos alunos da rede pública que se destacou por seu desempenho no último Enem, acertando 93,65% das questões da prova, é filho de um metalúrgico, estudou a vida inteira em escola pública e faz o ensino médio num colégio estadual na capital, onde foi estimulado a ler o noticiário da internet.
Outro fator que vem estimulando os alunos da rede pública de ensino médio a estudar é a possibilidade de usar as notas do Enem para entrar numa instituição de ensino superior. Atualmente, mais de 400 faculdades em vários Estados utilizam essas notas em substituição do vestibular ou como complemento de seu processo seletivo. E universidades de ponta, como a USP e a Unicamp, adotaram um bem-sucedido programa de inclusão social, premiando com até 30 pontos, em seus vestibulares, os candidatos egressos de escola pública.
São medidas simples, mas eficientes. Esta a lição que se pode extrair do estudo do MEC. A revolução educacional não se faz com sistemas de cotas raciais ou outras demagógicas iniciativas de "ações políticas afirmativas", mas com ensino de qualidade e acesso à informação. A escolaridade básica é o principal alicerce para uma boa formação escolar e profissional. É, também, um fator decisivo para a redução das desigualdades sociais, já que a mobilidade de jovens e adultos no mercado de trabalho depende da educação básica. Depois que uma boa escola do ensino fundamental ensina o aluno a ler, escrever, calcular, pensar e refletir, tudo o mais pode ser aprendido com rapidez e facilidade. E, quanto maior é o estímulo ao estudante do ensino médio para que amplie seus horizontes cognitivos, maiores são suas oportunidades de ingressar no ensino superior ou de sucesso na economia formal.
Quando todos os estudantes do ensino médio do País tiverem o mesmo ensino de qualidade que foi dado àqueles que se saíram bem no último Enem, o Brasil terá dado um passo decisivo para a redução das desigualdades sociais.
Fonte: Estadão.com.br, Caderno Opinião
Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080101/not_imp103023,0.php
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terça-feira, 13 de novembro de 2007
Microsoft desenvolve tradutor de documentos para cegos

FRANKFURT (Reuters) - A Microsoft e o consórcio de audiobooks DAISY estão trabalhando juntos numa ferramenta que permitirá aos deficientes visuais a traduzir documentos do Microsoft Word em padrões de áudio digital.
As duas organizações afirmaram nesta terça-feira que a colaboração tem como objetivo a produção de um programa gratuito de tradução de documentos escritos em Open XML --o formato padrão de arquivo para documentos do Microsoft Office 2007-- para o formato DAISY XML.
O arquivo DAISY XML poderia então ser processado para produzir áudio digital e outros formatos de exibição. A expectativa é de que o programa plugin esteja disponível no início de 2008.
O consórcio sem fins lucrativos DAISY (Digital Accessible Information System), com sede em Zurique, foi formado em 1996 por bibliotecas de audiobooks para ajudar na transposição de livros de áudio do formato analógico para o digital, e adotou um padrão livre com base em formatos de arquivos de Internet.
Entre seus membros estão o Serviço de Biblioteca Nacional dos Estados Unidos para Cegos e Portadores de Deficiências Físicas, a Organização Espanhola para Cegos e a Biblioteca em Braile da Coréia.
A Microsoft está em campanha para ter seu formato de documento Open XML aprovado como padrão internacional, o que ajudaria a empresa a ganhar aceitação de organizações do setor público.
A companhia não conseguiu a maioria necessária em setembro numa votação da Organização Internacional para Padronização (ISO), particularmente devido à preocupações de que o formato não seja realmente livre, mas apenas uma tática para prender o usuário em uma tecnologia.
Um grupo da ISO irá se reunir novamente em fevereiro para tentar chegar a um consenso, o que dá à Microsoft mais tempo para angariar votos.
Fonte: Reuters Brasil
http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRN1355158520071113
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Despertar o prazer da leitura (Ceará)

Ações promovidas por ONGs, escolas e comunidades fazem da leitura uma ação transformadora
A educação é apontada como a solução milagrosa para todos os problemas do Brasil, sobretudo os ligados à violência. No entanto, no Ceará, mais de 1,7 milhão de pessoas não sabem sequer ler e escrever, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os projetos do governo alfabetizam e as crianças estão em sala de aula, mas são poucas as que conseguem entender o que um aglomerado de palavras — que chamamos de texto — significa. Essa deficiência faz com que a leitura não seja uma atividade prazerosa.
O futuro do Brasil depende da formação de leitores, não leitores funcionais; de placas de ônibus e bulas de remédio, e sim de leitores que saibam avaliar histórias, artigos, resenhas, enfim, qualquer gênero textual e usá-los no cotidiano. Para ocupar esse vácuo deixado pelas escolas, a sociedade civil tomou para si a responsabilidade de despertar o prazer da leitura nos mais de 326 mil jovens cearenses entre oito e 29 anos que não dominam a escrita.
Nascem assim as bibliotecas comunitárias. Espalhadas pelas periferias da Capital, elas mudam a realidade de pobreza e exclusão em que vivem milhares de crianças e jovens. “Eu aprendi a ler de verdade na biblioteca. Antes, eu só olhava as figuras, agora entendo o livro todo. Minhas notas até melhoraram no colégio”, conta Antônio Márcio Bezerra de Lima, de 15 anos. Eles e mais outras 80 crianças do bairro Bela Vista freqüentam todo os dias a biblioteca comunitária Mary Mona Kelly.
Com os livros nas mãos, eles se tornam herdeiros de um legado imaterial dominado por uma nobreza intelectual brasileira. “Através da leitura, aprendem a ser cidadãos”, diz a coordenadora da Biblioteca, Maria das Graças Raulino da Silva. Há quatro anos, a pequena biblioteca surgiu como uma iniciativa para tirar os meninos e meninas da ociosidade. Com a ajuda financeira e pedagógica da Organização Não Governamental canadense “I Can Foundation”, o espaço se tornou o orgulho da comunidade.
A diretora executiva da ONG canadense, Jacquie Rashleigh, explica que mais outras duas bibliotecas comunitárias são mantidas em Fortaleza com as doações trazidas do Canadá. As outras duas unidades funcionam no Pirambu, na comunidade Terra Prometida, e no Planalto Pici. Além do acervo para consulta e empréstimo, as instituições realizam outras atividades educacionais e culturais com as crianças dos bairros e oferecem lanches durante as atividades, uma forma de garantir a permanência e concentração dos pequenos.
Há ainda outras iniciativas semelhantes nos bairros Messejana, com a Biblioteca Gaivota e no Conjunto Ceará, onde estudantes do Curso de Ciências da Informação da Universidade Federal do Ceará (UFC) estagiam. Este ano, mais duas bibliotecas comunitárias foram inauguradas, uma no Parque Genibaú e outra no Carlito Pamplona, como parte do projeto “Eu gosto de ler”, organizado pela vereadora de Fortaleza, Fátima Leite.
De acordo com a vereadora, outras seis comunidades manifestaram o desejo de ter um equipamento com livros didáticos e paradidáticos que possam conquistar mais jovens para o mundo das letras. Mais do que locais onde estudantes e a população, de modo geral, podem pegar livros na forma de empréstimo, as bibliotecas comunitárias consistem em espaços para reforço escolar e transformações sociais.
A vida de Francisco Gael Alves Pereira é outra depois que ele começou a ir para a biblioteca Mary Mona Kelly. “Antes eu vivia na rua e não era bom aluno. Hoje, eu gosto de ler e já li 20 livros este ano”, conta o menino. Os romances e histórias fantásticas são o grande atrativo da criançada, que depois envereda pela história e geografia do País, sempre descobrindo mundos novos.
HISTÓRIAS ENCANTADAS
Contato com os livros deve começar antes da alfabetização
O gosto pela leitura pode ser estimulado desde cedo, quando mal as crianças saem do berço. Com o ouvido atento, os pequenos escutam as histórias de fadas, bruxas e castelos encantados com admiração e assim têm o primeiro contato com o mundo da literatura. A participação da família é decisiva nesse processo, pois com a ajuda dos pais a leitura deixa de ser obrigatória e se torna um programa de família, passando a fazer parte do cotidiano das crianças.
O contato com a leitura deve começar antes do processo de alfabetização. Como explica a psicopedagoga Ana Ásia Almeida, no período de zero a seis anos de idade, a leitura é tratada de forma auditiva com as crianças. “Elas escutam, olham as imagens e imaginam as histórias”, observa. Na escola da rede privada em que ela atua como coordenadora pedagógica, desde muito cedo a leitura é estimulada com os alunos.
Eles participam de situações sociais de leitura e escrita. Uma dessas situações é a leitura de fim de semana. Na sexta-feira, as crianças levam um livrinho para casa e os pais devem ler a história para eles. Essa leitura, afirma a psicopedagoga, deve ser descompromissada, sem o peso de uma atividade pedagógica da escola. “Atrelar a leitura a um trabalho da escola é errado”, frisa Ana Ásia.
Aos pais, cabe não apenas ler o conteúdo do livro, mas narrar essa história, fazendo uma dramatização que envolva o filho no mundo de fantasia da história, a ponto deste se sentir parte dela. “As crianças se tornam quase um co-autor da história. Elas predizem os eventos e tendem até a mudar o final”, observa a coordenadora pedagógica. Além disso, a leitura das fotos é muito importante. Descrever as cenas ajuda as crianças a compreender o livro e a ter um senso crítico.
Mas os pais não devem esperar apenas pela iniciativa da escola para manter uma situação social de leitura. Há muitos títulos infantis que podem ser adquiridos e trabalhados em casa de modo a estimular a leitura. Ana Ásia aconselha os pais a comprar livros atrativos, de tamanho grande, com imagens coloridas e que deixem transparecer uma certa harmonia visual.
Em relação ao conteúdo, as histórias clássicas, como “Chapeuzinho Vermelho”, “Branca de Neve” e “Os Sete Anões” e “Cinderela”, são mais indicados para meninos e meninas depois dos quatro anos de idade. Antes disso, são preferíveis histórias com animais que já fazem parte do repertório cultural dos pequenos leitores.
A leitura ganha contornos lúdicos com a adição de canções, dramatizações e uso de fantoches. O mundo da literatura já é atrativo por despertar a capacidade de imaginar nos adultos e para a meninada ele é um convite à fantasia e à brincadeira. “A criança vive em um mundo imaginário e a literatura combina com isso, a leitura passa a ser então um desafio gostoso”, avalia a psicopedagoga Ana Ásia.
CASA DO CANTADOR
Acervo privilegia a literatura cearense
Michele de Sousa Araújo sai todos os dias do Álvaro Weyne para estudar na biblioteca da Casa do Cantador, no Carlito Pamplona. Ela e os amigos já criaram o hábito de ir todos os dias ao local para fazer as tarefas escolares e depois das lições, entre uma prateleira e outra, encontram uma história que ainda não conheciam ou uma poesia popular que ainda não tinham lido.
Reinaugurada com um acervo maior em julho deste ano, a biblioteca faz parte do projeto “Eu gosto de ler”, coordenado pela vereadora Fátima Leite, e já conta com um acervo que privilegia a cultura e produções locais, com destaque para os cordéis e livros raros, que não podem ser encontrados nas livrarias da Cidade.
“Tudo isso é pela cultura e pelas crianças”, frisa o diretor da Casa do Cantador, Dimas Mateus, também poeta popular. A biblioteca conta com 22 voluntários, que se dedicam a cuidar dos livros e das crianças. “Nosso desafio é estreitar os laços com as crianças para que elas leiam cada vez mais”, afirma a comerciante Tânia Lima do Nascimento, voluntária.
Por enquanto, a biblioteca não está trabalhando com empréstimos, pois ainda estão em processo de catalogação do acervo, explica Roosewelt Lins da Silva, bibliotecário responsável pelo projeto. Ele observa que o modelo de bibliotecas comunitárias está se expandindo rapidamente no Ceará, mais até que em outros Estados do Nordeste.
Essa demanda, frisa Roosewelt Lins, mostra a necessidade de investimentos em políticas de incentivo à leitura. Por conta disso, no próximo dia 20, será realizado o I Seminário de Incentivo à Leitura, no Auditório da Câmara Municipal de Fortaleza, que tem como objetivo discutir a prática de leituras em Fortaleza.
Artigos nobres, mas perigosos
NAIANA RODRIGUES
naiana@diariodonordeste.com.br
A deficiência de leitura dos brasileiros não deriva da concorrência do livro com os meios eletrônicos. Ela está na raiz da formação do Brasil como Estado-Nação. A entrada dos livros no período colonial só foi permitida no ano final do século XVIII. Apesar da proibição, eram trazidos ilegamente da Europa e comercializados no mercado negro. Essa barreira significava uma estratégia do processo de colonização, pois a leitura de obras iluministas poderiam insuflar revoluções. Por conta desse poder, os livros sempre foram uma ameaça aos governos autoritários. Na Alemanha nazista, milhares de livros que se opunham ao pensamento do Füher foram queimados em praça pública, o que é uma afronta à história da humanidade. No entanto, mesmo em tempos de “democracias”, o livro ainda enfrenta resistências. Desta vez, provocadas pelas leis de mercado, que fazem deles artigos de luxo. Se são muitos os analfabetos funcionais no Brasil, poucos são aqueles que têm condições financeiras de adquirir livros, seja para o estudo ou para o deleite. O livro continua sendo um artigo da nobreza, da classe hegemônica, portanto, iniciativas de bibliotecas comunitárias e grupos de leitura são uma prova de resistência e de autonomia.
Hábito de ler é essencial para a escrita
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
JOSÉ LEMOS MONTEIRO *
jolemos@unifor.br
A importância da leitura se torna consensual a partir do princípio de que alguém só adquire e desenvolve a habilidade de escrever se aprender a ler. São dois processos solidários: ninguém aprende a escrever bem se não for um bom leitor. A leitura também é uma condição essencial para que o aluno entenda um texto.
Se ele não tem o hábito de ler, não vai ter referenciais para entender o conteúdo daquilo que está escrito. É essa incapacidade de compreender os significados de um livro ou de um texto qualquer que compõe o quadro do analfabetismo funcional.
O leitor consegue ler o texto, mas não tem referenciais para compreender os significados dele. Uma outra conseqüência do hábito de ler é a abertura para o aprendizado. Para que o aluno aprenda, ele precisa ter a capacidade de compreender os ensinamentos do professor. Primeiro ocorre a apreensão das idéias, segundo a compreensão e a terceira fase é a aprendizagem em si.
A leitura está, pois, diretamente inserida nesse processo. Hoje, com outros meios de comunicação mais ágeis não há muita motivação para a leitura. Mas a escola pode mudar isso utilizando certas estratégias, uma das quais a de possibilitar de que o aluno tenha acesso a textos de boa qualidade literária que, sem dúvida, constituem um instrumento de prazer.
Se a escola apresentar textos pobres e inexpressivos, não irá motivar o aluno. Esse trabalho deve começar nas séries iniciais, para que o aluno não acumule deficiências ao longo do tempo e chegue à Universidade sem querer ler.
* Professor do Curso de Letras da Unifor
Naiana rodrigues
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com
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segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Terminal de ônibus ganha biblioteca em Santa Catarina

Ler um livro enquanto se espera pelo ônibus, emprestá-lo sem data marcada para devolver, ter acesso a uma biblioteca aberta 24 horas. Todas essas facilidades estão acessíveis às pessoas que circulam pelo Terminal Integrado de Santo Antônio de Lisboa, no Norte da Ilha, desde ontem, graças à inauguração de uma biblioteca de auto-atendimento.
A iniciativa faz parte do projeto Epopéia Literária, do Complexo de Ensino Superior (Cesusc), e tem o objetivo de incentivar o hábito da leitura. A biblioteca consiste em um guichê, montado no terminal, que possui cerca de 200 livros. As pessoas que passam pelo local podem entrar, escolher um livro, preencher uma ficha de controle e levar a publicação para ler no ônibus ou em casa. Não há ninguém controlando os empréstimos nem prazo para devolução. É só entrar e pegar.
- A idéia é desmistificar essa coisa de elite do livro, tornar mais acessível. Falta a descoberta do livro (pelas pessoas) - disse a coordenadora do projeto, Ana Cláudia Oliveira da Silva.
A data de devolução fica a critério de cada um. Segundo Ana, a possibilidade de os livros não serem devolvidos não assusta.
- Se a pessoa levar e demorar, alguém na casa pode se interessar. A idéia é mais fazer com que o livro circule do que fazer com que as pessoas leiam rápido - explicou.
Os livros disponíveis no auto-atendimento foram arrecadados pela biblioteca do Cesusc, como pagamento por atrasos dos associados na devolução. Entre as publicações disponíveis a todos no terminal estão clássicos como O Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, além de livros mais recentes, como Estação Carandiru, de Drauzio Varella.
http://www.clicrbs.com.br
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Biblioteca em borracharia recebe prêmio de incentivo à leitura do MEC
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Na periferia da cidade de Sabará (MG) uma borracharia também é biblioteca. Entre pneus, mangueiras e rodas de carros, estantes nas paredes abrigam mais de sete mil livros na Borrachalioteca de Marcos Túlio Damascena. O local faz mais de 220 empréstimos por mês e recebe crianças e adultos de todas as idades.
Damascena, que é borracheiro, diz que teve a idéia de transformar a oficina em biblioteca há cerca de três anos “a partir do gosto pelos livros e com a vontade de transmitir isso para as pessoas”. Passou então, a juntar revistas e jornais, que antes só estavam à disposição dos clientes, e a oferece-los à comunidade. Com tempo, conta, começou a receber doações de diversos tipos de livros.
Na noite de ontem (30), Damascena foi um dos ganhadores do Prêmio Viva Leitura 2007, que busca incentivar ações de estímulo à leitura no país. Ele recebeu R$ 25 mil da Fundação Santillana, empresa que patrocina o prêmio com apoio do Ministério da Educação e da Cultura. O dinheiro, garante investir na ampliação da Borrachalioteca e em outras ações de incentivo à leitura.
Questionado se a imagem de uma borracharia - que tem funcionários com as mãos sujas de graxa - afastaria os leitores, Damascena avalia que não. “Podem até chegar com esse pensamento mas na hora que conhecem e observam como funciona o projeto dão total valor para a gente”. Segundo o borracheiro, uma das vantagens do iniciativa é o prazo de devolução dos livros - de quinze dias enquanto em uma biblioteca comum o tempo limite é de sete.
Para Damascena, a idéia de fazer uma biblioteca na oficina é uma iniciativa simples para incentivar a leitura na localidade. “São coisas assim que podem modificar a situação da leitura no país”, ressaltou. “A leitura é um prazer que instrui”. Assim como ele, outras duas iniciativas foram premiadas em um evento que teve quase duas mil inscrições de todas as regiões do país.
O prêmio faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Educação e da Cultura. Além de reconhecer e divulgar ações de estimulo à leitura é meta do plano implantar bibliotecas em todos os municípios do país em dois anos, aumentar o número de livrarias e apoiar o debate e a adoção de mecanismos não restritivos de direitos autorais, entre outras medidas.
Fonte: Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Na periferia da cidade de Sabará (MG) uma borracharia também é biblioteca. Entre pneus, mangueiras e rodas de carros, estantes nas paredes abrigam mais de sete mil livros na Borrachalioteca de Marcos Túlio Damascena. O local faz mais de 220 empréstimos por mês e recebe crianças e adultos de todas as idades.
Damascena, que é borracheiro, diz que teve a idéia de transformar a oficina em biblioteca há cerca de três anos “a partir do gosto pelos livros e com a vontade de transmitir isso para as pessoas”. Passou então, a juntar revistas e jornais, que antes só estavam à disposição dos clientes, e a oferece-los à comunidade. Com tempo, conta, começou a receber doações de diversos tipos de livros.
Na noite de ontem (30), Damascena foi um dos ganhadores do Prêmio Viva Leitura 2007, que busca incentivar ações de estímulo à leitura no país. Ele recebeu R$ 25 mil da Fundação Santillana, empresa que patrocina o prêmio com apoio do Ministério da Educação e da Cultura. O dinheiro, garante investir na ampliação da Borrachalioteca e em outras ações de incentivo à leitura.
Questionado se a imagem de uma borracharia - que tem funcionários com as mãos sujas de graxa - afastaria os leitores, Damascena avalia que não. “Podem até chegar com esse pensamento mas na hora que conhecem e observam como funciona o projeto dão total valor para a gente”. Segundo o borracheiro, uma das vantagens do iniciativa é o prazo de devolução dos livros - de quinze dias enquanto em uma biblioteca comum o tempo limite é de sete.
Para Damascena, a idéia de fazer uma biblioteca na oficina é uma iniciativa simples para incentivar a leitura na localidade. “São coisas assim que podem modificar a situação da leitura no país”, ressaltou. “A leitura é um prazer que instrui”. Assim como ele, outras duas iniciativas foram premiadas em um evento que teve quase duas mil inscrições de todas as regiões do país.
O prêmio faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Educação e da Cultura. Além de reconhecer e divulgar ações de estimulo à leitura é meta do plano implantar bibliotecas em todos os municípios do país em dois anos, aumentar o número de livrarias e apoiar o debate e a adoção de mecanismos não restritivos de direitos autorais, entre outras medidas.
Fonte: Agência Brasil
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Um grande vazio na herança cultural

Em seu livro, Stuart Kelly procura resgatar as obras que, se tivessem permanecido, teriam apontado para novos caminhos
Ubiratan Brasil
Como seria a cultura mundial hoje caso a famosa Biblioteca de Alexandria, considerada o centro cultural do mundo às vésperas da Era Cristã, não tivesse sido destruída há cerca de 1.400 anos? E o que dizer dos clássicos gregos e romanos que não sobreviveram ao tempo? Finalmente, o que mudaria na literatura se fossem terminados os trabalhos eternamente embrionários que seus autores planejaram e desenvolveram, mas nunca chegaram ao ponto de escrever? Tais questões martelaram durante muito tempo a cabeça do escocês Stuart Kelly que saiu à caça das obras que deixaram uma verdadeira lacuna em nossa herança cultural para escrever O Livro dos Livros Perdidos (434 páginas, R$ 54), que a editora Record lança nesta semana.
Como o trabalho teria uma dimensão extraordinária, Kelly se limitou aos clássicos, dos mais antigos aos contemporâneos. Assim, de Shakespeare a Sylvia Plath, de Homero a Hemingway, de Dante a Ezra Pound, ele listou grandes escritores que produziram obras perdidas, incapazes de serem lidas. “Houve muitas perdas lamentáveis, mas, em minha opinião, as mais sentidas foram as tragédias gregas, das quais apenas uma pequena fração chegou aos nossos dias, e a Biblioteca de Alexandria, destruída pelos conquistadores muçulmanos que acreditavam que o Alcorão era o único livro que deveria existir”, comenta o pesquisador.
A lista, na verdade, começou a ser montada quando, aos 15 anos, Kelly descobriu que não havia sobrado nada das obras de Agathon, celebrado dramaturgo e amigo pessoal de Eurípides. Movido pela curiosidade, ele saiu em busca do rastro de outros escritos e logo descobriu uma lista vasta e heterogênea.
Afinal, o primeiro trabalho de Homero (autor de Ilíada e Odisséia) foi supostamente um poema épico com matizes cômicos. Já as memórias do poeta Byron foram destruídas pelo próprio autor. E Flaubert, que sofria de convulsões, além de provavelmente ser epilético, ensaiou escrever uma novela sobre insanidade, mas a idéia ficou aprisionada em sua mente. “A história inteira da literatura era também a história das perdas da literatura”, observa.
Diversas razões podem explicar as perdas. Inicialmente, o material facilmente perecível utilizado pelo homem para armazenar sua cultura: cera, pedra, argila, papiro, papel e até mesmo corda, como é o caso da linguagem peruana dos nós, quipo. “Visto que tem uma dimensão material, a própria literatura compartilha a vulnerabilidade de sua substância”, comenta Kelly. “Todos os elementos conspiram contra ela: o fogo e a água, o ar ressecado que corrompe, a terra argilosa que se decompõe.”
A forma mais simples de perda, no entanto, é a destruição. Kelly lembra que o poeta do século 19 Gerard Manley Hopkins queimou toda a poesia que escrevera quando passou a dedicar sua vida à beleza de Deus. James Joyce atirou ao fogo Stephen Hero, o primeiro esboço de Retrato do Artista Quando Jovem, mas não impediu sua mulher de salvar o que pôde. Mikhail Bakhtin, exilado no Casaquistão, usou seu trabalho sobre Dostoievski como papel para cigarro, depois de ter fumado um exemplar da Bíblia.
Mesmo sem confirmação, há indícios de trabalhos que foram destruídos. É o caso de Sócrates que, quando estava preso aguardando a execução, escreveu versificações das Fábulas de Esopo. Nenhuma delas sobreviveu, restando apenas ecos baseados nos diálogos memorizados e inventados por Platão.
O acaso também colaborou para dizimar a cultura. Stuart Kelly lembra, por exemplo, que uma pasta com os originais de Ultramarino, de Malcolm Lowry, foi roubada do carro do seu editor, e a versão existente teve de ser reconstruída a partir do que foi encontrado nas caixas de anotações de Lowry.
Em muitos casos, o próprio autor morreu antes de concluído o trabalho.Virgílio deixou instruções para que A Eneida fosse queimada, já que não a havia burilado à perfeição. A polícia nazista impediu que o teólogo radical Dietrich Bonhoeffer terminasse sua dissertação sobre ética. O Romance de Dolliver, de Nathaniel Hawthorne, A Barragem de Hermiston, de Robert Louis Stevenson, e Denis Duval, de William Makepeace Thackeray, são lembrados como clássicos incompletos. Kelly observa ainda que Robert Musil e Marcel Proust não conseguiram aperfeiçoar suas volumosas obras-primas.
Finalmente, a categoria dos livros que foram deliberadamente perdidos. Ou seja, idéias e rascunhos abandonados por seus autores, insatisfeitos com o caminho tomado ou simplesmente interessados em outras histórias. A fila remonta à Grécia Antiga. Kelly lembra que Sólon, o legislador ateniense, estava ocupado demais em criar impostos a pôr em versos a história de Atlântida. Já Victor Hugo prometeu mas não escreveu A Quinquengrogne. “Teria sido Gaia, de Thomas Mann, a obra-prima que ele acreditava que seria enquanto ainda não escrita? Teria o jamais escrito Fala, América, de Nabokov, seqüência de suas lembranças (Fala, Memória), revelado mais acerca da composição de Lolita ou de seus trunfos de colecionador de borboletas?”, questiona Kelly. “Esses trabalhos são tão ambiciosos que sua finalização parece intrinsecamente impossível.”
As suposições levam a outro questionamento, cuja resposta é temerário dimensionar: perder-se é a pior coisa que pode acontecer a um livro? Além de, em certos casos, salvaguardar a reputação do autor (se o valor do texto for questionável), a obra perdida torna-se infinitamente mais atraente pelo fato de ser perfeita na imaginação.
Stuart Kelly afirma que, atualmente, é quase impossível acreditar em perda. O avanço tecnológico, que tanto é utilizado para desvendar documentos antes considerados indevassáveis (como os papiros descobertos em Herculaneaum, cidade soterrada em 79 d.C. quando o Vesúvio entrou em erupção), como no serviço de preservação, possibilita ao homem registrar seus passos com segurança. E qual a importância disso? “Ao tentar preservar o que nos torna humanos, provamos nossa própria humanidade”, responde Kelly.
Fonte: O Estado de São Paulo
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'Biblioteca do Além' atrai visitantes de cemitério em SP


2,3 mil livros foram distribuídos em frente a cemitério da Zona Sul.
Visitantes tiveram dificuldades para carregar todas as obras escolhidas.
Roney Domingos
Escritores eternizados em livros dividiam espaço – e a atenção de visitantes - com os túmulos do Cemitério São Luís, localizado na periferia da Zona Sul de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (2), Feriado de Finados.
Em uma banca montada sob uma barraca de plástico, a Organização Não-Governamental Educa São Paulo colocou à disposição do público 2,3 mil livros, que podiam ser observados, manuseados, lidos e – enfim – levados gratuitamente pelos interessados.
As opções eram muitas. Era possível escolher entre nobres autores falecidos, como a romancista britânica Agatha Christie e o filósofo Karl Marx e ainda vivos, como o português José Saramago e o brasileiro líder de vendas Paulo Coelho. Quem teve disposição pôde carregar para a estante de casa a Enciclopédia Barsa completa.
Os livros foram doados à ONG por alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), igrejas e clubes. "Fizemos essa Biblioteca do Além para trazer cultura às pessoas", afirmou Devanir Amâncio, coordenador da ONG.
Karla Jaine, de 10 anos, e sua amiga, Rafaiane Monteiro, de 9 anos, tiveram certa dificuldade para suportar o peso da coleção de livros de histórias policiais. Mas dizem que adoram os contos da escritora britânica conhecida como Rainha do Crime.
Iris Alves, de 14 anos, foi ao cemitério para ajudar a família a vender flores. Ficou com "O Canto do Rouxinol", livro de poemas de Regina Rosseau. Sua amiga, Jamille, de 15 anos, levou o Atlas Barsa. "Meu irmão pediu" afirmou.
Jefferson, de 10 anos, escolheu duas obras antagônicas, uma voltada para o sonho e outra para a realidade: "Papagaio com rabo de boi e outros desenhos de Caó"e "Receita para a Morte – Cinco histórias policiais", de Nero Blanc. João Lucas, de 10 anos, também. Ficou com "As grandes figuras da Bíblia"e "Casseta e Planeta". "Em casa só tem livro de escola", disse ele.
A barraca de livros atraiu também os adultos. Estudante de História, Silvana de Paula Jesus foi visitar o cemitério e encontrou na barraca montada na porta algumas obras de sociologia e filosofia que não via na biblioteca pública.
A expectativa da ONG Educa São Paulo é que até o final de dezembro, a biblioteca ocupe permanentemente uma das salas de velório do cemitério.
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À caça de um 'faz-tudo', mercado muda nome de profissões famosas
Rachel Silva
rsilva@redegazeta.com.br
Você sabe explicar o que faz um profissional de "key account"? E um "hair designer"? Profissões tradicionais como as de vendedor e cabeleireiro vêm ganhando novos nomes, por razões diversas.
Há quem chame a empregada doméstica de "secretária", o que pode ser um jeito simpático de valorizar essas profissionais, embora as tarefas continuem sendo as mesmas: limpar, lavar, cozinhar e passar.
Por outro lado, há profissões em que o nome muda porque as atribuições são diferentes. Na era da Internet, não é de se estranhar que o bibliotecário passe a ser chamado de "gerente de informações", uma vez que a maioria das empresas possui, hoje, um acervo de documentos e informações que não estão impressas em papel.
Um outro exemplo é a profissão de contador que, antes de ser regulamentada por lei, era chamava de "guarda-livros". Hoje, o termo "contabilista" pode ser usado para profissionais de nível técnico ou superior, mas a categoria tem preferido o título de "profissional da contabilidade". Outros nomes, como auditor, perito ou analista, são utilizados pelos profissionais da Contabilidade que passam por cursos de especialização.
"Eu entendo que a evolução da língua e da própria profissão obriga a encontrar um termo mais adequado para descrever as atividades desenvolvidas", afirma o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-ES), Paulo Vieira Pinto.
Demanda. Mesmo que as funções continuem as de sempre, as exigências do mercado tendem a aumentar. De acordo com a consultora Maria Rita Sales, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), espera-se dos profissionais uma postura de comprometimento cada vez maior com os resultados da empresa.
"Hoje o profissional, além de elaborar, precisa apresentar, prospectar, avaliar e gerar lucros, isso em todas as profissões. Uma telefonista não deve apenas receber as chamadas de clientes e fornecedores, ela também apresentará em primeira mão a imagem da empresa, fará a abordagem e dará a deixa para o setor comercial alavancar as vendas", explica.
O diretor regional do grupo Catho, Elias Gomes, afirma que a mudança do nomes das profissões quase sempre está relacionada ao aperfeiçoamento da estrutura de gestão das empresas.
"Também há o caso de profissões que não fazem mais sentido, como gerente de informática. Gerente de Tecnologias da Informação é mais abrangente. É claro que, às vezes, a mudança de nome é só para dar um status, mas o profissional não tem a remuneração condizente", diz.
Para quem está em busca de um emprego, essa profusão de nomes pode tornar mais difícil a elaboração do currículo. Como "vender" sua imagem, sem correr o risco de não ser compreendido? Para Elias Gomes, a solução é não se descrever usando o nome do cargo, que, às vezes, não explica bem a função.
Ela é pau-para-toda-obra
Fernanda Soares, 25 anos, secretária executiva
Fernanda Soares tem orgulho em afirmar que é secretária executiva. "A gente fica bem indignada quando é confundida com doméstica, sem querer menosprezar a profissão. Algumas pessoas também confundem o curso com telefonista ou recepcionista", diz. Além de ser professora do curso de Secretariado Executivo do Cesat, Fernanda também é a secretária geral da faculdade. Ela explica que a profissão é regulamentada por lei, há cerca de dez anos, mas que só recentemente as pessoas têm entendido melhor quais são as atribuições de uma secretária – muito além de atender aos telefonemas e de servir cafezinho.
ANÁLISE
Maria Rita Sales
Seja versátil
A s mudanças são fruto de nossas atuais necessidades. Historicamente as pessoas precisam de mudanças, de novidades. No âmbito profissional existem algumas razões relevantes, tais como: novos conhecimentos, evolução da internética, capacidades tecnológicas ampliadas, pela natureza da função que se torna mais complexa e – não deixaria de mencionar – para facilitar a adequação aos regulamentos impostos, exigências da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), da legislação e das premissas da qualidade/certificações a que todas as empresas estão sujeitadas. O novo nome busca melhor traduzir a atual realidade na área. Na área de informática ocorre em função da associação de várias habilidades inclusive as tecnológicas, artísticas e criativas. Conheço algumas empresas que possuem vendedores de segunda categoria, pequenos em visão, mas que têm título no cartão de Gerente de Negócios. Suponho que seja para "melhorar" a prospecção da própria pessoa. O que não adianta muito, não é? O mundo requer dos profissionais maior versatilidade, com background em tecnologia e conhecendo a área de negócio profundamente, além da sintonia com o foco da empresa. Um outro diferencial requerido é a capacidade de estabelecer relações muito boas dentro e fora da empresa.
Quem batalha no mercado deve utilizar o que conhece e não a moda. O selecionador saberá, com certeza, adequar o material à demanda da empresa.
Maria Rita Sales Conselheira da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Espírito Santo (ABRH-ES)
"Na maioria dos casos, o melhor é não optar por dizer o seu cargo, mas descrever a área, como exemplo "gestão financeira". Durante a análise curricular, o selecionador, certamente, vai identificar o nível desse profissional, pelo conjunto das informações contidas no currículo", ensina.
Fonte: A Gazeta
http://gazetaonline.globo.com
rsilva@redegazeta.com.br
Você sabe explicar o que faz um profissional de "key account"? E um "hair designer"? Profissões tradicionais como as de vendedor e cabeleireiro vêm ganhando novos nomes, por razões diversas.
Há quem chame a empregada doméstica de "secretária", o que pode ser um jeito simpático de valorizar essas profissionais, embora as tarefas continuem sendo as mesmas: limpar, lavar, cozinhar e passar.
Por outro lado, há profissões em que o nome muda porque as atribuições são diferentes. Na era da Internet, não é de se estranhar que o bibliotecário passe a ser chamado de "gerente de informações", uma vez que a maioria das empresas possui, hoje, um acervo de documentos e informações que não estão impressas em papel.
Um outro exemplo é a profissão de contador que, antes de ser regulamentada por lei, era chamava de "guarda-livros". Hoje, o termo "contabilista" pode ser usado para profissionais de nível técnico ou superior, mas a categoria tem preferido o título de "profissional da contabilidade". Outros nomes, como auditor, perito ou analista, são utilizados pelos profissionais da Contabilidade que passam por cursos de especialização.
"Eu entendo que a evolução da língua e da própria profissão obriga a encontrar um termo mais adequado para descrever as atividades desenvolvidas", afirma o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-ES), Paulo Vieira Pinto.
Demanda. Mesmo que as funções continuem as de sempre, as exigências do mercado tendem a aumentar. De acordo com a consultora Maria Rita Sales, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), espera-se dos profissionais uma postura de comprometimento cada vez maior com os resultados da empresa.
"Hoje o profissional, além de elaborar, precisa apresentar, prospectar, avaliar e gerar lucros, isso em todas as profissões. Uma telefonista não deve apenas receber as chamadas de clientes e fornecedores, ela também apresentará em primeira mão a imagem da empresa, fará a abordagem e dará a deixa para o setor comercial alavancar as vendas", explica.
O diretor regional do grupo Catho, Elias Gomes, afirma que a mudança do nomes das profissões quase sempre está relacionada ao aperfeiçoamento da estrutura de gestão das empresas.
"Também há o caso de profissões que não fazem mais sentido, como gerente de informática. Gerente de Tecnologias da Informação é mais abrangente. É claro que, às vezes, a mudança de nome é só para dar um status, mas o profissional não tem a remuneração condizente", diz.
Para quem está em busca de um emprego, essa profusão de nomes pode tornar mais difícil a elaboração do currículo. Como "vender" sua imagem, sem correr o risco de não ser compreendido? Para Elias Gomes, a solução é não se descrever usando o nome do cargo, que, às vezes, não explica bem a função.
Ela é pau-para-toda-obra
Fernanda Soares, 25 anos, secretária executiva
Fernanda Soares tem orgulho em afirmar que é secretária executiva. "A gente fica bem indignada quando é confundida com doméstica, sem querer menosprezar a profissão. Algumas pessoas também confundem o curso com telefonista ou recepcionista", diz. Além de ser professora do curso de Secretariado Executivo do Cesat, Fernanda também é a secretária geral da faculdade. Ela explica que a profissão é regulamentada por lei, há cerca de dez anos, mas que só recentemente as pessoas têm entendido melhor quais são as atribuições de uma secretária – muito além de atender aos telefonemas e de servir cafezinho.
ANÁLISE
Maria Rita Sales
Seja versátil
A s mudanças são fruto de nossas atuais necessidades. Historicamente as pessoas precisam de mudanças, de novidades. No âmbito profissional existem algumas razões relevantes, tais como: novos conhecimentos, evolução da internética, capacidades tecnológicas ampliadas, pela natureza da função que se torna mais complexa e – não deixaria de mencionar – para facilitar a adequação aos regulamentos impostos, exigências da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), da legislação e das premissas da qualidade/certificações a que todas as empresas estão sujeitadas. O novo nome busca melhor traduzir a atual realidade na área. Na área de informática ocorre em função da associação de várias habilidades inclusive as tecnológicas, artísticas e criativas. Conheço algumas empresas que possuem vendedores de segunda categoria, pequenos em visão, mas que têm título no cartão de Gerente de Negócios. Suponho que seja para "melhorar" a prospecção da própria pessoa. O que não adianta muito, não é? O mundo requer dos profissionais maior versatilidade, com background em tecnologia e conhecendo a área de negócio profundamente, além da sintonia com o foco da empresa. Um outro diferencial requerido é a capacidade de estabelecer relações muito boas dentro e fora da empresa.
Quem batalha no mercado deve utilizar o que conhece e não a moda. O selecionador saberá, com certeza, adequar o material à demanda da empresa.
Maria Rita Sales Conselheira da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Espírito Santo (ABRH-ES)
"Na maioria dos casos, o melhor é não optar por dizer o seu cargo, mas descrever a área, como exemplo "gestão financeira". Durante a análise curricular, o selecionador, certamente, vai identificar o nível desse profissional, pelo conjunto das informações contidas no currículo", ensina.
Fonte: A Gazeta
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